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Histórico do Teatro Carlos Gomes
O início
Blumenau foi fundada em 02 de setembro de 1850. Entre os primeiros colonos alemães vindos com Dr. Blumenau, fundador da cidade, já formavam-se, aos domingos, pequenos grupos dedicados à arte dramática e ao canto como expressão cultural de sua terra de origem. Estas reuniões, que também incluíam o esporte (como o tiro-ao-alvo), resultaram na organização da primeira sociedade recreativa da colônia. Em 21 de dezembro de 1859 criou-se então a Sociedade dos Atiradores de Blumenau, com 47 sócios.
Mais tarde os grupos de teatro e canto se desmembraram desta Sociedade para formar a Sociedade Teatral de Blumenau e a Sociedade dos Cantores da Colônia de Blumenau. Ambas, porém, continuaram funcionando anexas à Sociedade dos Atiradores que, nas instalações de sua sede construiu, em 1870, um prédio dotado com palco para as encenações e apresentações musicais.
A Sociedade Teatral de Blumenau foi instituída em 24 de junho de 1860 e só passou a configurar-se como sociedade em 18 de abril de 1895, quando adotou o nome de Sociedade Teatral Froshsinn.
A Sociedade dos Cantores da Colônia de Blumenau foi fundada três anos depois, em maio de 1863, pelo pastor Osvaldo Hesse. Mais tarde foi denominada Sociedade de Canto Germânia.
Novos horizontes
Enquanto os cantores organizavam uma banda de música para as datas festivas e comemorações - as quais faziam com grande aparato - o grupo teatral se desligava da Sociedade dos Atiradores. A permanência na entidade tornava-se difícil pela diversidade de propósitos entre as duas facções.
Os sócios da Sociedade Teatral Frohsinn adquiriram um terreno na então Rua das Palmeiras (hoje Alameda Duque de Caxias), para a construção de sua sede própria: o Teatro Frohsinn. Junto a eles uniu-se um grupo de cantores: a Sociedade Musical Lyra.
A última apresentação da Sociedade Teatral Frohsinn na Sociedade dos Atiradores foi dia 16 de fevereiro de 1895 com a comédia "O Último".
A inauguração
Para a inauguração do Teatro Frohsinn, em abril de 1896, foi encenada a peça "Uma Idéia Maluca", de Karl Laufs, escolhida justamente pelo seu título - usado como resposta àqueles que consideravam "loucura" a idéia de construir um teatro em Blumenau.
Precursora
Com o transbordamento do rio Itajaí-Açu, na grande enchente de 1880, grande parte dos equipamentos e da biblioteca destas sociedades foi perdida, dificultando a recuperação de alguns importantes registros históricos. Deste período, no entanto, é de grande relevância registrar um nome que destacou-se entre os demais pioneiros do teatro em Blumenau: Rose Gaertner. Seu papel como incentivadora é indiscutível e sua trajetória foi pautada por atitudes que a colocaram também como a primeira feminista da cidade.
Período negro
O início do século não começou bem para as artes na cidade. Em 1900 morria Rose Gaertner e em 1917, com a Primeira Guerra Mundial, o idioma alemão foi proibido. Por quatro anos as atividades teatrais ficaram paralisadas. Só voltaram a tornar-se intensas entre 1920 e 1936.
Pedra fundamental
Em 1935 a Sociedade Teatral Frohsinn lançou, dia 10 de dezembro, a pedra fundamental da construção do novo teatro. Agora na Rua 15 de Novembro, no centro da cidade. Enquanto a sede era construída, em 1936 a Sociedade Frohsinn unia-se a Sociedade Liederkrantz, que era a fusão da Sociedade Musical Lyra com a Sociedade de Canto Germânia.
Em 1937 uma nova lei obrigando o uso do idioma nacional por todos os imigrantes e descendentes ocasionou um generalizado desânimo nos amadores teatrais.
O nome atual
A primeira parte das obras do teatro foi concluída em 1939 (compreendendo a parte externa, salão de festas e restaurante). Neste ano a Sociedade Teatral Frohsinn alterou definitivamente seu nome para Sociedade Dramático Musical Carlos Gomes. O novo teatro foi inaugurado dia 1º de julho de 1939.
A atual Sociedade, que compreendia a fusão da Frohsinn com a Liederkrantz, começava então a conquistar suas primeiras glórias: constituiu a Orquestra e o Coro sob regência do maestro Heinz Geyer.
Heinz Geyer, discípulo do mundialmente famoso Richard Strauss e amigo íntimo do pianista Arthur Rubinstein, chegou a Blumenau no início da década de vinte. No tempo em que esteve à frente das atividades artísticas da Sociedade produziu três óperas e inúmeras peças para canto. A primeira ópera montada na cidade e com artistas locais foi "Preciosa", de Carl Maria Von Weber.
O Salão de Festas, com pequeno espaço para apresentações, tinha papel muito importante, pois cada espetáculo (teatro, concerto, coral), era completado com um baile.
A sala de espetáculos, coxias, palco giratório com 12 metros de diâmetro, inovação que ainda hoje é prerrogativa de poucos teatros brasileiros, foram inauguradas dia 5 de dezembro de 1942. Neste mesmo ano é criada também a Escola de Ballet do Teatro Carlos Gomes.
Em 1949 surgia nas dependências do
Teatro o Conservatório Curt Hering,
dedicado ao ensino e prática da música até
1970. Extinto o Conservatório, surge em 1971 a Escola
Superior de Música de Blumenau, sob a direção
de Oscar Armando Zander. Sua nomenclatura foi alterada para Escola de Música de Blumenau, em 1996, e, atualmente, desde início do ano de 2009, é denominada de Escola de Música do Teatro Carlos Gomes.
Em 1981 é criada a Orquestra
de Câmara de Blumenau, por Dieter Hering e
a musicista Neyde Coelho, tendo como regente o maestro Norton
Morozowicz. Foi considerada pela crítica especializada
como o melhor conjunto de câmara do país. Foram
várias as turnês realizadas dentro e fora do
Brasil.
Numa nova fase formou-se a Academia
de Cordas de Blumenau e a partir dela a Orquestra
do Teatro Carlos Gomes, que assume o papel de representante
musical de uma das mais importantes casas de cultura do Estado.
A orquestra dá continuidade à herança cultural
recebida, projetando a cidade no meio musical do Estado e
do país. Hoje o grupo voltou a adotar o nome Orquestra
de Câmara de Blumenau.
Cenicamente o Teatro só volta a receber
novo impulso com a criação, em 1969, da Equipe
Vira Lata de Teatro. Dirigida por Carlos Roberto
Jardim, a equipe trabalha na formação de platéia
com montagens infantis. Outro impulso vem em 1984, com a criação
do Núcleo de Teatro e Escola - NuTe,
que volta suas atividades para o estudo e a formação
de novos valores para a arte cênica blumenauense. Em
2004 a Escola de Teatro passou a ser administrada pela Cia.
Carona de Teatro, do diretor Pepe Sedrez, recebendo o nome
de Carona Escola de Teatro.
Hoje
Atualmente, a Sociedade Dramático Musical Carlos Gomes abriga outras atividades, além das já citadas escolas de ballet, de música, de teatro e a orquestra. Também fazem parte da sociedade dois auditórios, dois salões, cinco salas de apoio para sediar diversos eventos, dispondo de bar executivo e restaurante.
Além de representar a história de um povo que tradicionalmente luta pela cultura, o Teatro Carlos Gomes proporciona à cidade e regiões vizinhas, momentos de grande prazer e descontração, além de oportunidades de aprendizado na área da música, dança e teatro. E para atender ainda melhor a seus propósitos, passará por uma fase de restauro e reformas.
Ampliações e reformas
O Teatro, desde sua fundação, vem sofrendo mudanças impostas pelo desenvolvimento populacional e social da cidade. Com mais de 60 anos e surgido da iniciativa privada, serviu inicialmente para a transmissão de assuntos culturais e para a recreação da população. Com o crescimento da cidade, suas atividades mudaram para "educação, apoio cultural e artístico". Transformou-se em um centro impulsionador do desenvolvimento cultural.
Com o pressuposto de atender a função útil da edificação e complementá-la da forma mais adequada, o Teatro sofreu diversas intervenções como: o Pequeno Auditório construído em 1968. Neste período foi ainda acrescentado escadarias, área para sanitários, administração, hall principal, salas de apoio, salas de ensaio para música e dança, bar.
Na década de 80, intervenções implantaram a recuperação de todo o telhado do prédio, com substituição do madeiramento e das telhas e substituição de todos os fios e cabos componentes da parte elétrica, recuperação e ampliação dos sanitários.
No final dos anos 80 e início da década de 90, as intervenções concentraram-se no Grande Auditório, hoje denominado "Auditório Heinz Geyer", com o acréscimo de salas de carpintaria, depósito de equipamentos de palco, substituição de pisos e forros, recuperação das poltronas, pintura do ambiente e início da construção de novas salas da Escola de Música.
No final do ano de 1996 e início de 1997, o Pequeno Auditório, hoje denominado "Auditório Willy Sievert", sofreu reforma generalizada para corresponder às exigências atuais de funcionamento, de técnica e de ambiente, como climatização, iluminação, construção de camarins, construção de cabine de comando para som e iluminação, recuperação das poltronas, piso, substituição do forro, criação da boca de cena, ampliação do palco e colocação de sua vestimenta.
Na verdade, grande parte das obras realizadas no Teatro foram complementações de um projeto inicial que vem sofrendo adequações ao longo do tempo, mantendo as características originais.
Hoje ele está reformado, com poltronas
especiais para obesos e lugar para deficientes fisicos. Histórico
das reformas:
Projeto de Restauro e Reciclagem
do Teatro Carlos Gomes
1996 – É encaminhado ao Programa
Nacional de apoio à Cultura (Pronac) o primeiro projeto
para a recuperação do Teatro;
1998 – O projeto recebe parecer favorável
do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan);
1999 – O projeto foi arquivado e por
sugestão do secretário Octávio Elísio
Alves de Brito é reformulado e enviado via Lei do Mecenato;
2000 – Em dezembro, a nova praça
do Teatro é entregue em solenidade e uma homenagem
é feita ao realizador da obra, Sr. Wandér Weege,
da Malwee;
2001 – R$ 2.188.851,00 são
aprovados para o início do Projeto de Restauro e Reciclagem
do Teatro Carlos Gomes;
2001 – Através dos parlamentares
catarinenses Renato Vianna, Paulo Gouvêa da Costa, João
Piazzolatti, Vicente Caropreso e Geraldo Althoff, R$ 590.000,00
são repassados via Fundo Nacional de Cultura.
2001 – Eletrobras, Eletrosul, Banco
Bradesco, Weg e Karsten fazem os primeiros repasses via Mecenato,
totalizando R$ 1.480.000,00;
2002 – Começa o processo de
restauro e reciclagem do Teatro. Mais R$ 150.000,00 são
captados através da Eletrosul, Badesc e Altenburg;
2003 – R$ 380.000,00 são captados
das empresas Bunge e Altenburg;
2004 – Souza Cruz, Altenburg e Bunge
repassam R$ 462.610,00;
2005 – Souza Cruz faz mais um repasse
de R$ 173.390,00, fundamental para a conclusão das
obras da Escola de Música;
2005 – O Governo do Estado anuncia
o repasse de R$ 1 milhão através do Fundo Social
para as obras de recuperação da parte externa
do Teatro.
2006 – Inauguração da
nova iluminação externa e da recuperação
das fachadas e do telhado.
2008 – Inauguração do projeto de sonorização da Praça do Teatro Carlos Gomes, patrocinado pela Nemetz, Kuhnen e Olivier Advocacia e apoio da Connecta Áudio e Vídeo.
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