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2/3/2010 - Teatro Carlos Gomes
Amor e música, tudo começou no Teatro Carlos Gomes

Roberto Hübner

O blumenauense Roberto Hübner iniciou sua trajetória musical na Escola de Música do Teatro Carlos Gomes, estudando violino, em 1973. É graduado em Educação Artística, pela Furb, e em Violino pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap). Também na Embap fez especialização em Música (Cordas). Participou de vários cursos, encontros, oficinas e festivais de música em todo o país, tanto como violinista barroco quanto moderno.

 

Hübner foi um dos fundadores da Orquestra de Câmara de Blumenau e nela atuou durante mais de dez anos, de 1981 a 1992. Neste período, gravou com o grupo uma dezena de discos e participou de diversas turnês por todo o Brasil, além de Alemanha, Áustria e da então Tchecoslováquia, acompanhando solistas de renome como Antonio Menezes, Ingrid Haebler, Maurice André, Boris Belkin, Nelson Freire e Jean-Pierre Rampal, dentre tantos outros.

 

Lecionou violino e viola na Escola de Música Villa-Lobos, da Fundação Cultural de Joinville (SC), de 1984 a 1996, e na Escola de Música do Teatro Carlos Gomes, em 1991. Atualmente, aos 47 anos, é violista da Camerata Antiqua de Curitiba e da Orquestra de Câmara da capital paranaense, professor de violino e viola da Embap – onde também é chefe do departamento de cordas e regente da Orquestra de Cordas.

 

Nesta entrevista, Hübner relembra sua vivência no Teatro Carlos Gomes:

 

- Quando você se descobriu um músico?
Sou blumenauense nato e ingressei na Escola de Música do Teatro Carlos Gomes em 1973. Desde meus cinco anos eu já havia anunciado aos meus pais que haveria de ser músico, pois era a coisa da qual mais gostava. E assim que meus pais tomaram conhecimento de uma escola de música na nossa Blumenau, com tal qualidade como já era na época (e é até hoje a escola do Teatro Carlos Gomes), trataram de me matricular nela. Foi ali que tive as primeiras noções de música. Até então só ouvia. Acho que herdei o gosto pela música do meu pai. Lembro-me muito bem dele, embora leigo no assunto, comprando discos de música clássica para ouvirmos em casa, adquiridos na antiga “Casa Flesch”.

 

- O que lhe inspirava?
Muito me marcou na época, por exemplo, ouvir gravação dos Concertos de Brandenburgo de Bach dirigidos por Nikolaus Harnoncourt, ou dos concertos de piano de Beethoven com Claudio Arrau ou Maurizio Pollini. Também me lembro, ainda menino, de meu pai me levando para assistir os Meninos Cantores de Viena, ou a Orquestra Sinfônica Brasileira, além de inúmeros concertos de música de câmara – sempre no Teatro Carlos Gomes.

 

- Quais são suas lembranças daqui do Carlos Gomes?
Lembro que eu era bolsista da escola. Estudei com Cassilda Canfield e Rose A. Praun (minhas primeiras professoras de música na vida; e a Rose está aí até hoje). Depois estudei com Irene Flesch Baldin e com Leopoldo Kohlbach (violino). Mais tarde com Lolita Mello, com Ariane Pfister Benda, com Tereza Schnorrenberg (ela também dirigia a orquestra da escola e foi a primeira orquestra em que toquei na vida.) Tive aulas ainda com Chico Mello, com Salete Chiamulera, com Frank Graf, com Paulo Bosísio... e tantos outros! Tudo na Escola de Música do Teatro Carlos Gomes. Teve uma época, quando Bosísio só lecionava em Curitiba, que a Lina Kubala, então diretora da escola, deu um jeito de ele me aceitar como aluno particular em Curitiba. Eu tinha duas aulas por mês e a escola e/ou o Teatro financiavam as aulas e as passagens. Que tempo legal aquele! Saí da Escola de Música do Teatro Carlos Gomes super preparado.

 

- E além da música, o que o Carlos Gomes lhe reservou?
Foi no Teatro que conheci minha esposa, que também estudava música lá. Em 2010 faz 30 anos que nos conhecemos. Fiz muita música, muita amizade e aprendi muito aí. Tenho saudades da Escola e daqueles bons tempos. Tenho certeza que ainda hoje a Escola de Música do Teatro Carlos Gomes é o melhor lugar para se estudar música em Blumenau. Ela tem excelentes instalações e um corpo docente qualificado e dedicado.

 

 

- Como tem sido sua trajetória em Curitiba?
Em 1980 ingressei na Orquestra de Câmara de Blumenau regida por Norton Morozowicz. Fiquei nela por 12 anos. Em 1984 me mudei para Curitiba após um concurso para ingresso na Camerata Antiqua de Curitiba e no ano seguinte ingressei no curso superior da Escola de Música e Belas Artes do Paraná. E toda minha formação para isto foi somente na Escola de Música do Teatro. Fui spalla dos dois grupos durante 1996 e 1997, ocasião em que foram realizados concertos nos Estados Unidos e na Dinamarca. Com este grupo também gravei vários discos e me apresentei em concertos na Itália. Nas últimas oficinas de música de Curitiba, trabalhei como assistente dos professores Manfredo Kraemer, Micaela Comberti e Luis Otávio dos Santos. Nos últimos seis anos também participei como convidado da gravação de cinco CD´s da orquestra barroca do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, de Juiz de Fora – MG.

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